Magistrado por vocação

Sou veraz quando afirmo a justiça que acionou o pulso do governador Celso Peçanha, promovendo a transferência do dr. Antônio Neder para a recém-criada Vara Criminal de Petrópolis.
Magistrado dos mais corretos e brilhantes, forrado de laminado cultura jurídica e afeito, de longa data, ao exercício da nobre função jurisdicional, seu nome constitui um verdadeiro florão, na Magistratura da Velha Província.
Figura servida de invulgar personalidade, temperada na peleja diuturna; das grandes e complicadas demandas jurídicas, o dr. Antônio Neder, fez por se impor como um dos maiores juízes do Estado, a cujo saber jurídico vem casar-se a excelência do vernáculo, manejado com zelo e probidade, nas eruditas sentenças que é levado a prolatar.
A prudência no decidir, a acuidade no examinar, a minúcia no configurar e dispor das ideias, a convicção no sentenciar fazem do dr. Antônio Neder um Magistrado à altura da grande missão, que o Estado substabelece nos homens, incumbidos de zelar pelo equilíbrio da justiça social, sempre sujeita às variações dos fenômenos antropossociológicos.
Durante o longo tempo em que atuou na jurisdição da 1ª Vara desta Comarca, colocou sempre as melhores reservas de suas forças morais a serviço da Justiça. Se muitas vezes desagradou, no proferir suas decisões — o que é natural nos que se fazem árbitros dos interesses alheios — na imensa maioriadas vezes alcançou a proteção, o resguardo, a preservação da Justiça, meta superior dos que se lançam à postulação de um direito, à barra dos tribunais.
Sei que a sua transferência para a Vara Criminal veio sujeitar muitos cavalheiros a permanente intranquilidade, sobretudo os que estimulam ou exercitam atividades contravencionais, mas aqueles que colocam o império da Justiça acima das questiúnculas meramente personalistas sabem que o dr. Antônio Neder, na Vara Criminal, será uni dique inexpugnável às inclinações mais apuradas para o exercício da criminalidade.
Se o Direito Penal — que é o mais belo ramo das ciências jurídicas — perde muito de sua substância, no campo da aplicabilidade, sua jurisprudência continua sendo das mais copiosas e atraentes, porque é a única que se argamassa sabre ura dos mais preciosos bens da natureza humana, que é a liberdade.
Daí, a constante atualidade desse ramo do Direito, enriquecido continuamente pela variação das causas etiológicas e sociais, que a nutrem de novas essências.
A presença, pois, de um magistrado experiente e culto à frente da Vara Criminal da Comarca auxiliado pelo competente escrivão Edson Ferreira de Souza, era um imperativo da própria justiça, senão uma imposição do bom-senso, que é o tribunal a cuja barra são sumariamente julgados os impulsos do ser humano.
Se ainda há nesta terra um ou outro homem público, que pretenda fazer política com a Justiça, é porque, na, sua inconsútil mediocridade, não passa de verdadeiro anão, travestido de gigante.
Vamos, assim, desejar que o lugar que até há pouco ocupava o dr. Antônio Neder na 1ª Vara seja preenchido por um magistrado de sua estirpe — culto, sereno e probo—para que a Justiça serrana ofereça às demais Comarcas do Estado o exemplo das decisões, emanadas dos melhores magistrados que emolduram o rico quadro da Magistratura fluminense.